DAVI E GOLIAS


Quando você ouve o termo empresário, que imagem vem a sua cabeça?
 

  1. Uma pessoa que empreendeu e comanda um império de fábricas ou uma grande rede de lojas que faturam milhões e que, por causa disso é rica, poderosa e que anda em carros de luxo;

  2. Uma pessoa que levanta cedo, trabalha umas 14 horas por dia e que enfrenta dificuldades para pagar suas contas, ficando com uma pequena parcela para o sustento de sua família.
     

Se você respondeu “A”, está certo e se você respondeu “B” também está certo! Segundo o dicionário do UOL, empresário é uma “pessoa que se estabelece com uma empresa ou indústria, tomando a seu cargo a execução de um trabalho”. Isso significa que, o que define uma pessoa ser empresária ou não, não é a quantidade de dinheiro que ela tem, mas sim, o que ela escolheu fazer na vida. Uns preferem ser empregados e outros preferem ter um negócio próprio e gerar emprego. Nada contra um ou outro, apenas escolhas que podem ter sido motivadas por sonhos ou necessidades.
 

Entretanto o objetivo da reflexão de hoje é mostrar o quanto esse nome “EMPRESÁRIO” é carregado de preconceitos por muitos. Segundo o SEBRAE, 98,5% das empresas desse país são de micro e pequeno porte e geram 54% dos empregos formais do país. Somente 1,5% são grandes empresas e que empregam menos que os pequenos, pois, usam muito a mecanização e a tecnologia para fazerem o negócio andar. 
 

Na pergunta inicial, tanto “A” ou “B” podem ser enquadrados como empresários, mas, saibam que a grande maioria desses 98,5% pertencem ao grupo “B”, ou seja, são pessoas que levantam cedo, trabalham duro, enfrentam dificuldades para pagar suas contas e acabam ficando com uma parcela muito pequena de lucro para o seu sustento. Para mostrar a desigualdade entre essas empresas, resolvi fazer uma analogia com uma história bíblica bem conhecida: vou chamar as pequenas empresas de Davi e as grandes de Golias.
 

Agora, em tempos de pandemia, o Governo instituiu a suspensão do contrato de trabalho, podendo o funcionário ficar em casa recebendo do governo; os informais estão recebendo os R$ 600,00 e o que foi feito para a pessoa de Davi? Golias, que tem crédito fácil está seguindo a vida com menos dificuldades, MAS E DAVI, QUE ESTÁ COM SEU NEGÓCIO FECHADO? Como ele está fazendo?
 

Ora, para que pensar no empresário? Afinal de contas ele tem dinheiro, não é mesmo? Aqui está o preconceito! Ser empresário é uma coisa, ter dinheiro sobrando é outra. Aliás, ter dinheiro sobrando num país como o nosso é algo raro e para pouco menos de 20% das empresas de micro e pequeno porte.
 

Sem vendas, sem dinheiro para nada, inclusive para pagar as contas de sua casa. O governo pensou nos informais, nos funcionários das empresas, mas ninguém lembrou que Davi existe e que precisa sustentar a sua família. O seu salário não foi garantido por ninguém e por isso, precisa do seu negócio operando.
 

Depois disso tudo, vejo pessoas chamando os empresários de financistas, acusando-os de só pensarem em dinheiro. Vejo muitos colocando Davi e Golias num mesmo balde e isso não está certo!
 

Diante disso, fica a pergunta: e se Davi, que gera 54% dos empregos formais desse país, desaparecer? O que será desses desempregados e das outras empresas, que precisam dessas pessoas empregadas para consumirem e girarem a roda da economia?

Golias, certamente, seguirá sua vida postergando suas dívidas e impostos com o apoio de advogados caros e bem preparados. 

 

É meus caros leitores, vejo uma luta tão desigual que só mesmo a Bíblia para dar a chance de Davi vencer. 
 

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Grande de abraço, cuidem-se e boa semana a todos!

 

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